"Se não conseguires fazer da tua vida o que queres,
então pelo menos tenta,
o mais que puderes; não a menosprezes
no contacto abundante com o mundo,
nas muitas acções e palavras.
...
Não a menosprezes no vaivém
frequente, expondo-a
à estupidez diária
de relações e amizades
até que se torne um fardo estranho."
Konstandinos Kavafis
sábado, 24 de março de 2012
Apenas isto
Ao ritmo das nebelinas da manhã,
Momentos obscurecidos pelo excesso
Desta minha luz, esquivamente vã,
Ao sabor da música que esqueço
Para não me ferir. Minto.
E a eternidade é apenas isto.
Momentos de graça, abraços lunares
Sono atravessado pelo pensamento.
E as minhas mãos, inúteis borboletas.
Despida a ternura do meu momento,
Barco naufragado em águas pretas
Pássaro louco sem contento,
Ao rufar do tambor imponente
Fujo, para não sofrer.
E a eternidade apenas isto.
Vislumbres de luz, torres, ruínas,
A minha face escondida num sorriso.
Ao ritmo das nebelinas da manhã,
Momentos obscurecidos pelo excesso
Desta minha luz, esquivamente vã,
Ao sabor da música que esqueço
Para não me ferir. Minto.
E a eternidade é apenas isto.
Momentos de graça, abraços lunares
Sono atravessado pelo pensamento.
E as minhas mãos, inúteis borboletas.
Despida a ternura do meu momento,
Barco naufragado em águas pretas
Pássaro louco sem contento,
Ao rufar do tambor imponente
Fujo, para não sofrer.
E a eternidade apenas isto.
Vislumbres de luz, torres, ruínas,
A minha face escondida num sorriso.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Abri os olhos e era inverno outra vez.
No horizonte bailam as árvores, sopra o vento, correm as nuvens, rápidas do lado do mar. Uma ave voa e solta um pio estridente do fundo da sua alma. Apenas uma brecha de azul no céu.pejado de nuvens cinzentas.
E eu também no Inverno da minha vida, crescendo ainda e tantas vezes abatida pela minha falta de sol.
Deixei de fugir dos espelhos. Expulsei todas as minhas dores e foi crescendo o vazio também. O pior de tudo é ir perdendo a vontade de fazer os outros felizes.
Na próxima Primavera voltarei a deslumbrar-me com as magnólias em flor, comprarei uma saia nova, mas não voltará o meu sorriso, aquele que me faz falta quando agora olho o espelho de relance. Deixei de projectar o meu futuro, tenho sono apenas.
No horizonte bailam as árvores, sopra o vento, correm as nuvens, rápidas do lado do mar. Uma ave voa e solta um pio estridente do fundo da sua alma. Apenas uma brecha de azul no céu.pejado de nuvens cinzentas.
E eu também no Inverno da minha vida, crescendo ainda e tantas vezes abatida pela minha falta de sol.
Deixei de fugir dos espelhos. Expulsei todas as minhas dores e foi crescendo o vazio também. O pior de tudo é ir perdendo a vontade de fazer os outros felizes.
Na próxima Primavera voltarei a deslumbrar-me com as magnólias em flor, comprarei uma saia nova, mas não voltará o meu sorriso, aquele que me faz falta quando agora olho o espelho de relance. Deixei de projectar o meu futuro, tenho sono apenas.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Não sabes, mas todos os dias te escrevo. Palavra a palavra, ponto a ponto, componho o sentimento.
É sempre um desperdício o silêncio na voz de quem se ama. e ocorrem-me as tuas palavras de ouro, as que atiraste ao poço de água parada em que estou. Nada faz sentido agora que as tuas palavras se afundaram de vez. Por vezes vislumbro apenas a tua claridade, uma réstia de azul, apenas um raio reflectido numa parede.
Não sabes, mas obrigo-me a ficar alheia, a guardar para mim o que só a mim diz respeito. Escrevo-te apenas, imagino-te, recrio-te, como só eu conssigo. E as palavras saem doces ou amargas alternadamente. E as palavras libertam ou pesam invariavelmente.
E a felicidade continua a ser um óasis no deserto da vida.
É sempre um desperdício o silêncio na voz de quem se ama. e ocorrem-me as tuas palavras de ouro, as que atiraste ao poço de água parada em que estou. Nada faz sentido agora que as tuas palavras se afundaram de vez. Por vezes vislumbro apenas a tua claridade, uma réstia de azul, apenas um raio reflectido numa parede.
Não sabes, mas obrigo-me a ficar alheia, a guardar para mim o que só a mim diz respeito. Escrevo-te apenas, imagino-te, recrio-te, como só eu conssigo. E as palavras saem doces ou amargas alternadamente. E as palavras libertam ou pesam invariavelmente.
E a felicidade continua a ser um óasis no deserto da vida.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Encontrei a flor dentro do perfume musical do meu corpo.
Encontrei o fumo anil navegando no mar da minha alma.
Procurei o meu jardim, a minha alma gémea, a minha irmã nesta vida.
Procurei uma razão, uma missão, uma dádiva de amor eterno.
Busquei, logrei encontrar e perdi mil vezes, mil certezas, mil sorrisos.
Fora de mim, gravitam seres que me fascinam pela sua beleza, pelo seu carisma, pela sua luz.
Dentro, bem no fundo de mim, amo, ardo, corrijo a trajectória que o Universo traçou para mim.
Encontrei o fumo anil navegando no mar da minha alma.
Procurei o meu jardim, a minha alma gémea, a minha irmã nesta vida.
Procurei uma razão, uma missão, uma dádiva de amor eterno.
Busquei, logrei encontrar e perdi mil vezes, mil certezas, mil sorrisos.
Fora de mim, gravitam seres que me fascinam pela sua beleza, pelo seu carisma, pela sua luz.
Dentro, bem no fundo de mim, amo, ardo, corrijo a trajectória que o Universo traçou para mim.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Errado era o convite. Tempestade em copo de água tépida em estação de Inverno.
Errado era o encontro. Tropêgo ensejo de te abraçar uma vez mais, menos vazia a rotina.
Errado foi o abraço. Sol frouxo e rabujento. Doce tormenta de passos arrastados no sótão da calçada.
Erradas foram as palavras. Veias vazias de seiva, tristemente flutuando o azul do agasalho.
Errado foi o passeio. Senda dada a anjos perdidos divagando ao nosso encontro.
Errada a companhia . Impróprio o lugar. Luminosamente verdes os reflexos sobre a mesa.
Errada a lembrança. Despropositadamente consumista de laço e papel natalício.
Errado o humor, a comida insípida, o tempo gasto. Os minutos limitados sempre com a mente noutros lugares.
Errada a despedida, seca, solta. Paragem a meio. Adeus, adeus, vai, vai.
Errada a rua, a lua, a via. Apenas estava certo o bater do meu coração.
Errado era o encontro. Tropêgo ensejo de te abraçar uma vez mais, menos vazia a rotina.
Errado foi o abraço. Sol frouxo e rabujento. Doce tormenta de passos arrastados no sótão da calçada.
Erradas foram as palavras. Veias vazias de seiva, tristemente flutuando o azul do agasalho.
Errado foi o passeio. Senda dada a anjos perdidos divagando ao nosso encontro.
Errada a companhia . Impróprio o lugar. Luminosamente verdes os reflexos sobre a mesa.
Errada a lembrança. Despropositadamente consumista de laço e papel natalício.
Errado o humor, a comida insípida, o tempo gasto. Os minutos limitados sempre com a mente noutros lugares.
Errada a despedida, seca, solta. Paragem a meio. Adeus, adeus, vai, vai.
Errada a rua, a lua, a via. Apenas estava certo o bater do meu coração.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Em cada manhã encontrar a lógica essencial, a semente escondida, o aroma difuso, o cheiro a terra molhada, o canteiro florido, o vento revolvendo os teus cabelos.
Em cada encontro trocar pequenos gestos de amor, sorrisos despertos, o afago de mãe, o abraço franco de quem se quer bem, o braço que te ampara quando estás triste.
Em cada paisagem recortar uma árvore, reinventar a travessia, o deslumbramento inicial de quem se entrega de alma solta e olhar no horizonte para além do horizonte.
Em cada vibração de som descobrir a música, a modelação de cada voz humana, o ritmo interno dessa harmonia única, a fusão da pureza, da inocência, da grandiosidade, do fulgor.
Em cada momento ler as cores do mundo, manchas cromáticas, vagas aguarelas, reflexos de luz girando sobre o claro escuro do que nos cerca, anima e nos prende o olhar.
Em cada estado de alma afagar a surpresa, os prémios, os desaires, as novas conquistas , as percas, o frisson do medo e do prazer, sempre saltando de emoção em emoção.
Em cada estação liberar o que nos pesa, renovar, transgredir, ir mais além.
A vida é um presente inesgotável, um calor bom que nunca acaba, é preciso mesmo é saber viver. Acordar os sentidos, apreciar os afectos, suspender o tempo, as rotinas, os deveres.
Parar. Contemplar apenas o planar de uma gaivota, a folha que cai, a areia que escorre por entre os nossos dedos, o raio de sol,a partilha da ternura, dos estados de alma genuínos, dos doces sabores, do que tenho, do que sei, do que sou. Isso é viver.
Em cada encontro trocar pequenos gestos de amor, sorrisos despertos, o afago de mãe, o abraço franco de quem se quer bem, o braço que te ampara quando estás triste.
Em cada paisagem recortar uma árvore, reinventar a travessia, o deslumbramento inicial de quem se entrega de alma solta e olhar no horizonte para além do horizonte.
Em cada vibração de som descobrir a música, a modelação de cada voz humana, o ritmo interno dessa harmonia única, a fusão da pureza, da inocência, da grandiosidade, do fulgor.
Em cada momento ler as cores do mundo, manchas cromáticas, vagas aguarelas, reflexos de luz girando sobre o claro escuro do que nos cerca, anima e nos prende o olhar.
Em cada estado de alma afagar a surpresa, os prémios, os desaires, as novas conquistas , as percas, o frisson do medo e do prazer, sempre saltando de emoção em emoção.
Em cada estação liberar o que nos pesa, renovar, transgredir, ir mais além.
A vida é um presente inesgotável, um calor bom que nunca acaba, é preciso mesmo é saber viver. Acordar os sentidos, apreciar os afectos, suspender o tempo, as rotinas, os deveres.
Parar. Contemplar apenas o planar de uma gaivota, a folha que cai, a areia que escorre por entre os nossos dedos, o raio de sol,a partilha da ternura, dos estados de alma genuínos, dos doces sabores, do que tenho, do que sei, do que sou. Isso é viver.
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